Sandro Lucena é artista e trabalha com a matéria como quem escuta.
Nascido no subúrbio do Rio de Janeiro, teve desde cedo contato com os ferro-velhos da cidade — territórios de acúmulo, desgaste e reinvenção, onde a matéria carrega marcas de uso, abandono e transformação. É desse ambiente que emerge uma percepção sensível para aquilo que é descartado, mas insiste em permanecer.
Sua formação passa pela escola de Belas Artes Prilidiano Pueyrredon, em Buenos Aires, onde estabelece uma base clássica que atravessa e tensiona sua prática, com escultores como Henrique Valderey, Oscar Debueno, Alfredo Marssoratti, Alfredo Percivalle, Oscar Stáfora e Juan Parafioriti, que foram determinantes na minha formação. Ao retornar ao estado do Rio de Janeiro e se estabelecer em Guapimirim, encontra na presença intensa da Mata Atlântica um ponto de inflexão: a natureza deixa de ser paisagem e passa a atuar como força estruturante de sua obra.
É nesse deslocamento — entre o urbano e o orgânico — que seu trabalho se consolida.
A madeira, a pedra, o ferro, o vidro, muitas vezes já marcados por outras histórias, provenientes são incorporados como corpos vivos, carregados de memória. Suas esculturas não escondem a origem da matéria; ao contrário, a evidenciam como parte essencial do processo.
Há, em seu fazer, uma dimensão ritual.
Cortar, entalhar, soldar, assemblar, tensionar, queimar — gestos que reorganizam a matéria e ativam camadas simbólicas. Suas obras operam como campos de transformação, onde o tempo, o uso e a ação humana se entrelaçam, produzindo formas que sugerem presenças, entidades e paisagens internas.
Desde 2004, coordena a Oficina de Experimentação Escultórica no Centro de Artes Calouste Gulbenkian, no Rio de Janeiro, espaço onde o fazer artístico se expande como prática coletiva, troca e construção de sensibilidade.
É também fundador do PaPo Coletivo, coletivo de escultores cariocas dedicado à criação de obras de grande formato que dialogam com o espaço público. Entre suas ações, destaca-se a escultura de 5 metros da Tia Ciata,figura principal do Cortejo da Ciata, levada em cortejo no dia 20 de novembro, afirmando a arte como presença viva, coletiva e em movimento com grupos culturais da cidade.
Seu ateliê, no Vale das Nascentes, em Guapimirim, se configura como extensão desse pensamento — um espaço onde matéria, território e convivência se entrelaçam.
Mais do que objetos, suas esculturas propõem pausas.
Convites ao encontro com aquilo que permanece invisível, mas ativo: a memória inscrita na matéria, o tempo que atravessa os corpos e as forças simbólicas que sustentam a experiência criativa.
Coletivo Carioca de escultores, que vem desenvolvendo projetos escultóricos de grande formato, para interagir com a cidade, tendo origem no ateliê de Experimentação Escultórica do Centro de artes Calouste Gulbenkian RJ, sob minha orientação desde 2004. saiba mais
Ainda em 2001 ganhei o primeiro premio de escultura p artistas jovens (menores de 35 anos ) no Salão da sociedade de Belas artes Argentina, com a obra Pássaro Branco - entalhe direto em alabastro branco.
Em 2002 ganhei o segundo premio do mesmo concurso com um entalhe em alabastro verde. A maternidade, que infelizmente não ficaram registros.